Renovação Carismática

GO da Comunidade
10 de junho de 2019
11º Muticom
24 de junho de 2019

Renovação Carismática

Frei Raniero Cantalamessa ao CHARIS: Renovação Carismática, uma corrente de graça para toda a Igreja
“Parto da convicção, compartilhada por todos nós e frequentemente repetida pelo Papa Francisco, de que a Renovação Carismática Católica (RCC) é “uma corrente de graça para toda a Igreja”. Se a RCC é uma corrente de graça para toda a Igreja, temos o dever de explicar a nós mesmos e à Igreja em que consiste esta corrente de graça e porque ela é destinada e necessária a toda a Igreja. Explicar, brevemente, o que somos e o que oferecemos – melhor, o que Deus oferece – à Igreja com esta corrente de graça.
Até o momento não estivemos em condições – nem podíamos estar – de dizer com clareza o que é a Renovação Carismática. É necessário, portanto, experimentar uma forma de vida antes de poder defini-la. Assim aconteceu sempre no passado, por ocasião do aparecimento de novas formas de vida cristã. Pobres daqueles movimentos e ordens religiosas que nascem com tantas regras e constituições estabelecidas minuciosamente desde o início, para depois colocá-las em prática como um protocolo a ser seguido. É a vida que, progredindo, adquire uma fisionomia e se dá uma regra, como o rio que, avançando, cava seu próprio leito.
Devemos reconhecer que, até o momento, temos dado à Igreja ideias e representações da Renovação Carismática diferentes e, às vezes, contraditórias. Bastaria fazer uma breve sondagem entre as pessoas que vivem fora dela para nos darmos conta da confusão que reina acerca da identidade da Renovação Carismática.
Para alguns, ela é um movimento de “entusiastas”, não diverso dos movimentos “entusiastas e iluminados” do passado, o povo do Aleluia, das mãos erguidas, que rezam e cantam em uma linguagem incompreensível, um fenômeno, no fim das contas, emocional e superficial. Posso afirmá-lo, com conhecimento de causa, pois eu também fui, por certo tempo, daqueles que pensavam assim. Para outros, ela é identificada com pessoas que fazem orações de cura e realizam exorcismos; para outros, ainda, trata-se de uma “infiltração” protestante e pentecostal na Igreja católica. Na melhor das hipóteses, a Renovação Carismática é vista como uma realidade à qual se pode confiar tantas coisas na paróquia, mas com a qual é melhor não se envolver. Como alguém disse, ama-se os frutos da Renovação, mas não a árvore.
Após 50 anos de vida e de experiência, e por ocasião da inauguração do novo organismo de serviço, a CHARIS, talvez tenha chegado o momento de tentar fazer uma releitura desta realidade e dar-lhe uma definição, ainda que não definitiva, estando o seu caminho por nada concluído.
Acredito que a essência desta corrente de graça esteja providencialmente contida em seu nome “Renovação Carismática”, desde que se compreenda o verdadeiro significado destas duas palavras. É o que me proponho a fazer, dedicando a primeira parte da minha exposição ao substantivo “Renovação” e a segunda parte ao adjetivo “carismática”.